quarta-feira, 18 de maio de 2016

2º ANO - ENSINO MÉDIO: TRABALHO SOBRE A LITERATURA


Grupos de, no máximo, 4 alunos.

Data de entrega: 02/06/16 (quinta-feira)

Orientações:

a) Realizar duas entrevistas, buscando compreender como os entrevistados se relacionam com a Literatura.

b) Entrevistar pessoas que tenham o ensino superior completo ou incompleto.

c) Transcrever as entrevistas usando o registro formal da Língua Portuguesa.

d) Analisar o conteúdo das entrevistas, levando em consideração o que já foi estudado e discutido em sala de aula sobre a importância da Literatura.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Reativação do blog

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quarta-feira, 23 de junho de 2010

A aparente falência do ensino é uma novidade?

Depois de seis meses sem publicar nada neste blog, retorno a escrever por dois motivos: 1) através dos relatórios semanais de visitação, percebo que o blog está sendo constantemente visitado; 2) em fase de término do curso de pós-graduação, tenho lido muito a respeito do ensino de Língua Portuguesa (especialmente textos que se referem à abordagem das variedades linguísticas) e pretendo compartilhar algumas reflexões novas com os leitores deste blog.

Todos assistimos a uma aparente falência do ensino-aprendizagem da língua materna. Professores e pais ficam angustiados com a numerosa quantidade de alunos que terminam seus estudos regulares como muita dificuldade em ler (compreendendo o texto) e escrever (com clareza). No entanto, esse quadro não é exclusivo da área de Língua Portuguesa e nem de nossa época.

Visitando uma biblioteca pública em Guarulhos encontrei um livro intitulado “A Língua do Brasil” de um linguísta e filólogo da segunda metade do século XX, Gladstone Chaves de Melo. Nunca ouvi falar dele nos meus cinco anos de faculdade. Folheando o livro e lendo alguns trechos, rapidamente fiquei interessado. Ao ler o início do capítulo IX, “A Língua Literária”, vi que esse linguista derruba a tese de que não falamos mais a língua de Camões.  A “língua do Brasil” não é outra senão a Língua Portuguesa. Em breve, provavelmente no próximo post, apresentarei os seus argumentos.

O que eu gostaria de destacar é a atualidade deste livro que foi escrito na década de 40 e editado pelo autor nos anos 70. Em uma passagem, Gladstone fala sobre a decadência da língua literária e lhe dá as causas. Ainda que não concordemos com a suposta decadência da língua literária, vejamos as causas apontadas pelo linguista:
a)    O clima espiritual da época.
b)    A falência do ensino secundário.
c)    Os métodos defeituosos empregados no ensino da língua padrão,
d)    A influência das más leituras.


Detenhamo-nos nas duas primeiras causas e veremos a terrível contemporaneidade das constatações de Gladstone Chaves de Melo (relembrando que o livro foi escrito na década de 40 e editado nos anos 70):

O clima espiritual da época “caracteriza-se pelo horror ao esforço, pelo imediatismo, pela falta de sólida e madura preparação para a vida. A grande arma de vitória é a improvisação, e a grande virtude, a audácia. Uma perigosa filosofia do êxito fácil, conjugada com a filosofia do conforto, insinuou-se profundamente entre a nossa mocidade, alterando a concepção geral da vida, pela subestima dos valores éticos e privativamente humanos. Daí aquele horror ao esforço, a fuga à reflexão, a ausência de formação longa e fecunda. Daí uma atitude de falsa independência, desrespeitadora dos valores éticos e das autoridades naturais ou constituídas. Daí um obscurecimento da noção profunda do dever, entendido como necessidade moral, como fidelidade do homem a si mesmo e, principalmente, a Deus. (MELO, 1975. p. 176)

Para Gladstone, os responsáveis pela falência do ensino secundário são o governo, os diretores de estabelecimentos de ensino, os professores, os pais e os próprios alunos. Vejamos o que ele diz daqueles que estão envolvidos mais diretamente com o ensino:

Os professores: “(...) não é somente a formação intelectual e a especialização que faltam a muitos professores. Falta-lhes ainda a vocação magisterial, o que é fruto daquela improvisação e daquele tomar o magistério como “bico”. É também professor. E daí a ausência de consciência moral: aulas não preparadas, aulas “matadas”, provas e tarefas escolares corrigidos a trouxe-mouxe, aprovação sistemática dos alunos. O menos trabalho possível.” (MELO, 1975, p.180)

“Mas se há essas deficiências por parte de certos elementos do magistério, é força reconhecer que esse professorado também tem sido vítima.”

”Salários baixos, vida cara, não podem os professores só com o ensino ou só com uma disciplina atender às suas responsabilidades econômicas. Daí a multiplicação de atividades, ou sobrecarga de aulas, que impede a execução perfeita da função magisterial.”
(MELO, 1975, p. 181)

Os pais: “(...) têm raro larga culpa no cartório. Querem que os filhos passem. De qualquer maneira. Há uns que exigem “garantia” por parte do estabelecimento. Se os filhos logram más notas ou são reprovados, esses cidadãos se enfurecem contra os professores e às vezes os ameaçam de pancada.”(MELO, 1975, p. 181)

Os alunos: “(...) são vítimas de todo esse estado de coisas, mas também são bastante culpados. O adolescente de hoje não tem, em geral, o mínimo interesse em aprender. Sua preocupação máxima, e quase sempre única, na aula é descobrir e “gozar” o ridículo do professor. Pôr-lhe um apelido azado. Atucanar-lhe a paciência com mil diabruras e insolências, reduzi-lo à condição de policial ou, antes, de domador de feras. Realmente é dificílimo ensinar a uma classe onde a maior parte dos alunos não prestam atenção, olham atrevidos para o mísero professor, vozeiam, molequeiam, distraem os outros poucos que escutariam o mestre”. (MELO, 1975, p.181)

Caros leitores, concluímos que a situação em que se encontra a educação não é novidade. Infelizmente já vem se arrastando há algumas décadas. Por que trazer à tona as palavras de um linguista, educador e filólogo já esquecido se já “evoluímos” tanto nas questões linguísticas e pedagógicas? Respondemos com as palavras do grande Machado de Assis:

“Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos os modernos; com os haveres de uns e outros é que se enriquece o pecúlio comum.”(MACHADO DE ASSIS, 1979, p. 809)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MACHADO DE ASSIS, J.M. Obra Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1979, v. III
MELO, Gladstone Chaves. A Língua do Brasil (Coleção Estante da Língua Portuguesa). Rio de Janeiro: FGV, 1975.

domingo, 29 de novembro de 2009

A Alegoria de Anchieta








Anchieta escrevendo na areia, óleo de Benedito Calixto

Alegoria é uma figura semântica muito utilizada na Literatura. A palavra alegoria, de origem grega (allegoria) significa “dizer o outro”, ou seja, dizer algo que transcenda o sentido literal do texto. Preparando a apresentação de um livro de literatura infantil, tive que pesquisar sobre este recurso linguístico, para interpretar a obra em questão. Ao mexer em meus materiais da época em que cursava Introdução aos Estudos Literários na faculdade, reencontrei um belo poema alegórico de um dos maiores poetas que já pisaram nas terras brasileiras: o Apóstolo do Brasil, B. Padre José de Anchieta.

Sua obra está imersa na devoção católica e não por acaso. Padre jesuíta, nascido em 1534 nas ilhas Canárias, veio para o Brasil em 1553 aos 19 anos, incumbido de auxiliar na catequização dos índios. Para isso, compôs poemas e autos utilizando a língua dos nativos. Padre Anchieta foi o primeiro a codificar uma língua indígena falada no Brasil em sua Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil. Entre suas composições mais conhecidas está o poema De Beata Virgine Dei Matre Maria (sobre a Santa Virgem Maria Mãe de Deus), constituído de 4172 versos, escritos originariamente nas areias da praia.

O poema a que me referi no início deste post chama-se “O pelote domingueiro”. Alfredo Bosi apresenta-nos o mesmo em seu livro Dialética da colonização e explica que “a alegoria do poema persegue a ideia da graça divina que Adão recebeu do alto. O pelote, isto é, o belo capote envergado aos domingos, é esse dom de que o primeiro homem foi revestido no Éden, mas perdeu quando deixou que o Anjo do Mal o furtasse. (...) Mais tarde, isto é com a vinda de Jesus Cristo, o novo Adão é ressarcido da sua perda original: só então recobra a honra com o uso do pelote.” Vamos ao poema:

Ele, deram-lho de graça,
porque “Graça” se chamava
e com ele passeava,
mui galante, pela praça.
Mas furtaram-lhe, à ramaça,
ao pobre do moleiro,
o pelote domingueiro.

Os pobretes cachopinhos
ficaram mortos de frio,
quando o pai, com desvario,
deu na lama de focinho.
Cercou todos os caminhos
o ladrão, com seu bicheiro,
e raspou-lhe o domingueiro.

De graça lhe foi tomado,
mas custou muito dinheiro
ao neto, que foi terceiro
para ser desempenhado.
Foi mui caro resgatado
(ditoso de ti, moleiro!)
teu pelote domingueiro.

Referência Bibliográfica

BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. 2.ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, pág. 74-75.

domingo, 15 de novembro de 2009

Eu falo, (você fala), ele fala...


Aula de português
Carlos Drummond de Andrade


A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
O amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

(Aula de Português, in Boitempo II, Editora Record. RJ)

Parece que em todas as situações encontramos um poema de Drummond que traduz exatamente o que queremos expressar. Podemos imaginar que estes versos do poema Aula de Português bem representam as angústias de nossos alunos nas aulas de Língua Portuguesa. Não só deles como dos professores, pelo menos daqueles que se inquietam diante da dificuldade de ensino-aprendizagem de nossa língua materna.

Como lidar com esta incongruência entre a lingua falada, que está na "ponta da língua" de todo aluno, e a "misteriosa" norma culta, tão difícil de entender e tão distante como as estrelas do céu? O que é ensinar Língua Portuguesa para quem já é falante desta língua? A língua do aluno não é tão língua como a norma culta? Se o aluno já sabe falar sua língua, é necessário estudá-la? E as aulas de Língua Portuguesa servem só para se ensinar-aprender a norma culta?

Estas são apenas algumas das muitas questões que me inquietam todos os dias. E apesar de muito já ter lido e continuar lendo sobre elas, ainda não encontrei respostas satisfatórias. É necessário um esforço interdisiciplinar por parte de pesquisadores e professores para se encontrar um novo caminho no ensino da Língua Portuguesa, pois o problema não é apenas metodológico ou pedagógico, é, antes de tudo, social.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Sobre a Educação - No dia do Professor

"A educação tem raízes amargas, mas os seus frutos são doces." (Aristóteles)

"Toda educação, no momento, não parece motivo de alegria, mas de tristeza. Depois, no entanto, produz naqueles que assim foram exercitados um fruto de paz e de justiça." (Hebreus 12, 11)

"A boa educação é moeda de ouro. Em toda parte tem valor." (Pe. Antônio Vieira)

domingo, 11 de outubro de 2009